TRÊS MERCADOS REPRESENTAM QUASE METADE DAS EXPORTAÇÕES

TRÊS MERCADOS REPRESENTAM QUASE METADE DAS EXPORTAÇÕES

Exportações portuguesas continuam trajetória ascendente, mas ritmo de venda de bens ao exterior desacelerou em 2018. União Europeia mantém a tradição e é o principal destino, mas Estados Unidos, Angola e Brasil já contribuem para a performance.
Há muito que a União Europeia se consolidou como o principal cliente de Portugal, com Espanha, França e Alemanha a liderarem o ‘top três’ dos principais destinos de bens portugueses, mas as empresas nacionais continuam a procurar outros mercados para crescer. Os Estados Unidos, Angola e o Brasil estão também no radar dos empresários portugueses, numa estratégia de diversificação de mercados.
Depois de o boom de exportações, a venda de bens ao exterior continua a aumentar, mas desacelerou em 2018, face ao ano anterior.
No ano passado, as exportações de bens cresceram 5,1%, menos 4,9 pontos percentuais do que em 2017, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Ainda assim, em termos nominais, ascenderam ao valor mais elevado de sempre: 57.807 milhões de euros. A impulsionar este desempenho esteve principalmente o comércio intra-União Europeia.
As exportações portuguesas cresceram 7,9%, em 2018, para países da União Europeia, o que se traduz num acréscimo de 3.209 milhões de euros quando comparado com o ano anterior. Esta expansão permitiu compensar o decréscimo de 420 milhões de euros registado no comércio para países terceiros.
Mercados europeus lideram ‘ranking’
A liderar os mercados para os quais Portugal mais bens exporta mantiveram-se Espanha, França e Alemanha, quer no peso individual, quer no conjunto. Em 2018, os três mercados concentraram quase metade das exportações totais, ascendendo a um peso de 49,6%, uma subida de 0,4 p.p. face a 2017.
O mercado espanhol mantém-se o principal parceiro económico de Portugal e, em 2018, sagrou-se como o país que mais contribuiu para o aumento global de compra e venda de bens. No ano passado, representou 25,4% das exportações portuguesas, tendo subido dois p.p. face a 2017.
“À semelhança do ocorrido nos três anos anteriores, Espanha foi o país que mais contribuiu para o aumento global das exportações, com um acréscimo de 5,8%, principalmente devido aos veículos e outro material de transporte”, explica o relatório do INE relativo ao comércio internacional.
Já o mercado francês, que ocupa o segundo lugar na compra de bens portugueses, pesou 12,7% das exportações portuguesas, ao adquirir sobretudo veículos e outros materiais de transportes. Já as exportações para a Alemanha, que seguiu a tendência de grupo de produtos mais vendidos para França, mas também dos produtos de ótica e precisão, cresceram 6,5%, com um peso de 11,5% no total das exportações.
Com o Reino Unido a ocupar o quarto lugar na compra de bens, é apenas no quinto maior cliente que Portugal atinge o mercado extra União Europeia, ao vender sobretudo combustíveis minerais para os Estados Unidos. As terras do ‘tio Sam’ mantêm o mesmo lugar no ranking do que em 2017, tendo a venda de bens aumentado 1% – o que se traduz por um acréscimo de 28 milhões de euros em 2018, quando comparado com 2017. Com estes números, os Estados Unidos já têm um peso de 5% nas exportações totais de Portugal.
Em contra-ciclo, registou-se uma queda de 15,3% nas exportações para Angola, que representou uma diminuição de 273 milhões de euros, principalmente devido aos produtos agrícolas e máquinas e aparelhos.
“Os dez principais mercados de destino em 2017 mantiveram-se em 2018, havendo apenas troca de posições entre Itália e os Países Baixos (Itália ascendeu a 6.º)”, explica o INE, que acrescenta que as exportações para os Países Baixos diminuíram 0,3% e “incidiram sobre a maioria dos grupos de produtos, mas com maior intensidade nos combustíveis minerais”.
A ganhar peso, estiveram assim as exportações para Itália, que representou o segundo maior aumento na globalidade dos países, com um crescimento de 25,2%, devido ao aumento da compra sobretudo de veículos e outro material de transporte.
Máquinas e aparelhos lideram vendas
A maioria dos grupos de produtos apresentaram aumentos nas vendas de bens em 2018. Segundo dados do INE apenas as máquinas e aparelhos, o calçado e outros produtos apresentaram diminuições nas exportações.
“As máquinas e aparelhos continuaram a ser o grupo de produtos mais vendido ao exterior, tendo atingido um peso de 14,3%”, explica o organismo de estatística, que identifica uma diminuição de 1,9%, reflexo da diminuição de comércio intra-UE e extra-UE.
Por outro lado, as vendas de veículos e outro material de transporte aumentaram 25% e foram as que mais contribuíram para o crescimento global das exportações, reforçando a sua posição como segundo principal grupo de produtos exportado. A impulsionar esta evolução estiveram as exportações para países terceiros à União Europeia, dado que as vendas para a União Europeia registaram uma diminuição de 241 milhões de euros.
Já os metais comuns mantiveram-se como terceiro principal grupo de produtos exportado, com um peso de 7,9%. “As exportações deste tipo de bens aumentaram 5,8%, em resultado da evolução positiva das transações para os parceiros Intra-UE”, refere.
Apesar do seu aumento, a perder peso no total das exportações globais estiveram os plásticos e as borrachas, assim como os combustíveis minerais.
Crescimento das exportações desacelera no terceiro trimestre
O comércio internacional fora da Europa já está a ter impacto no volume de exportações em Portugal, com a venda de bens a crescer 1,2%, em termos homólogos, no terceiro trimestre deste ano.
Esta evolução representa uma desaceleração da expansão de 5,8% registada entre julho e setembro de 2018.
Se a radiografia às exportações se centrarem no trimestre terminado em setembro verifica-se uma queda de 3,6% das exportações registadas no período terminado em agosto. Tendo como enquadramento este período, as exportações para a zona euro aceleraram 2,3%, enquanto para a União Europeia 2,4%.
Em setembro de 2019, as exportações de bens cresceram 5,8%. “A variação apresentada em ambos os fluxos [exportações e importações] foi principalmente resultado da evolução registada no comércio Intra-UE”, explica o organismo de estatística, salientando as exportações de materiais de transporte, que subiram 19,8%.
Neste mês, Bélgica, Alemanha e França lideraram os mercados que mais receberam bens portugueses, com um crescimento, em termos homólogos, das exportações de 13,4% para o mercado belga, de 11,8% para o mercado alemão e de 9,4% para o mercado francês.
“Excluindo os combustíveis e lubrificantes, as exportações aumentaram 7,2% e as importações cresceram 10,3% (-0,1% e +4,0%, respetivamente, em agosto de 2019”, identifica o INE.
FONTE: Jornal Económico / Anilact

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