GOVERNO CONSAGRA ESTATUTO DA AGRICULTURA FAMILIAR

GOVERNO CONSAGRA ESTATUTO DA AGRICULTURA FAMILIAR

O Governo consagrou o estatuto da agricultura familiar, que esteve em consulta pública entre Dezembro de 2017 e Janeiro de 2018, segundo um decreto-lei publicado em Diário da República. O estatuto em causa visa «reconhecer e distinguir a especificidade da agricultura familiar» nas dimensões económica, territorial, social e ambiental, promover políticas públicas para o extracto sócio-profissional em causa, bem como valorizar a produção local e melhorar os respectivos de comercialização. «Adicionalmente, o estatuto da agricultura familiar prevê a promoção da agricultura sustentável, contribuir para a desertificação do interior, promover equidade na concessão de incentivos e conferir à agricultura familiar “um valor estratégico, a ter em conta, designadamente nas prioridades das políticas agrícolas nacional e europeia».

De acordo com o diploma, o estatuto é atribuído ao responsável da exploração agrícola familiar, «através da emissão de um título de reconhecimento pela Direcção-geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR)». A atribuição deste título de reconhecimento permite o acesso a medidas de políticas públicas de apoio às actividades de exploração agrícola e florestal e no âmbito de programas operacionais financiados por fundos europeus, bem como medidas de carácter excepcional que contribuam para o «ordenamento do território e a preservação da actividade agrícola florestal nas zonas desfavorecidas».

Para além disto, permite aceder a um regime simplificado em matéria de licenciamento das unidades de produção; aos mercados e aos consumidores; a um regime específico de contratação pública para fornecimento de proximidade de bens agro-alimentares; a um regime de reconhecimento das organizações de produtores; as linhas de crédito e a um “procedimento especial simplificado e de custos reduzidos relativo ao registo de primeira inscrição de aquisição, de reconhecimento da propriedade ou de mera posse de prédios rústicos”.

Por último, o estatuto confere a possibilidade de aceder a apoios específicos de formação; a benefícios na utilização de gasóleo colorido ou marcado; a condições “mais favoráveis” em matéria de seguros agrícolas; a um incentivo à gestão eficiente de custos e à utilização de energias renováveis; ao regime fiscal e da segurança social adequado à agricultura familiar; a acções desenvolvidas pelos centros de competências e a serviços destinados à agricultura familiar através do espaço cidadão.

Para receberem o título, os responsáveis agrícolas têm de ter mais de 18 anos, um rendimento colectável igual ao inferior ao 4.º escalão do imposto do rendimento de pessoas singulares e não podem receber um montante superior a 5.000 euros decorrentes das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC). Além disto, «os candidatos devem ser titulares de uma exploração agrícola familiar que se situe em prédios «rústicos ou mistos» e que utilize mão-de-obra familiar em percentagem igual ao superior a 50% do total.

Segundo o diploma, na sequência da consagração do estatuto, foi criada a Comissão Nacional para a Agricultura Familiar (CNAF), presidida pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e composta por representantes das áreas tuteladas pelos ministros das Finanças, Justiça, Adjunto, Educação, Trabalho, Saúde, Planeamento, Economia, Ambiente e Mar.

Fazem igualmente parte da CNAF representantes dos Governos Regionais da Madeira e dos Açores, da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, da Confederação dos Agricultores de Portugal, da Confederação Nacional da Agricultura, da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal, da Confederação Nacional dos Jovens Agricultores e do Desenvolvimento Rural. A Federação Portuguesa de Associações de desenvolvimento Local, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, a Federação Nacional dos Baldios, a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a Associação Nacional de Freguesias completam a lista de representantes.

O Decreto-Lei n.º 64/2018 – Diário da República n.º 151/2018, Série I de 2018-08-07 entra em vigor dentro de três meses.

Fonte: AGRONEGÓCIOS

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