BREXIT SEM ACORDO: “PÂNICO DOS CONSUMIDORES”

BREXIT SEM ACORDO: “PÂNICO DOS CONSUMIDORES”

Um relatório oficial, a que a Sky News teve acesso, revela as potenciais consequências de uma saída sem acordo.

No primeiro dia de um Brexit sem acordo o fluxo de mercadorias e de passageiros que voam do Reino Unido para a União Europeia diminuirá e haverá processos adicionais na fronteira. Nas primeiras duas semanas, haverá potencial “pânico dos consumidores” e “falta de comida”, além de um possível “aumento do risco de crime organizado grave, incluindo tráfico de pessoas e imigração ilegal”. No primeiro mês, pequenos negócios na Irlanda do Norte vão enfrentar problemas e haverá potenciais dificuldades a nível da lei e ordem, podendo os britânicos que vivem na União Europeia começar a regressar ao Reino Unido.

Estas são algumas das potenciais consequências de um Brexit sem acordo, segundo um documento oficial considerado “sensível” que foi apresentado a alguns ministros e ao qual a Sky News teve acesso. “O que é que isto pode significar no terreno” é o título de um slide marcado como número 7, que terá sido preparado nas semanas finais do governo da primeira-ministra Theresa May.

Um porta-voz do governo de Boris Johnson disse à estação de televisão que não comenta documentos que foram divulgados sem autorização.

No primeiro dia de Brexit sem acordo, além dos problemas adicionais na fronteira, o documento avisa que os britânicos que vivem no resto da União Europeia podem perder o acesso a serviços e a direitos de residentes. A nível de segurança, as autoridades britânicas vão ser obrigadas a trabalhar através de canais que não são os europeus. No sector económico, o alerta é para a volatilidade da moeda e dos mercados financeiros. Na Irlanda do Norte, as trocas comerciais ficam virtualmente paradas e desaparecem as bases legais para o mercado único de electricidade.

Nas primeiras duas semanas, além do pânico entre os consumidores e da falta de comida e dos riscos de segurança, transferências de dados ilegais para o Reino Unido podem desencadear acções dos reguladores europeus, assim como a suspensão dessa transferência de dados. Na economia, a contínua volatilidade da moeda dos mercados financeiros, com potenciais problemas nos mercados de dívida.

No primeiro mês, para lá dos problemas na Irlanda do Norte e do eventual regresso dos britânicos que não consigam residência noutros países da União Europeia (ou os pedidos de ajuda oficial ao governo), também haverá mais problemas a nível de segurança. O aumento das necessidades de policiamento torna-se insustentável, com os problemas operacionais a continuar a aumentar. A nível económico, a libra ficará a um nível baixo (o Banco da Inglaterra sugere 25% no pior cenário) e haverá problemas para as empresas, podendo haver mais pedidos de ajuda.

Alerta do Banco de Inglaterra
O governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, afirmou esta sexta-feira que um Brexit sem acordo no próximo dia 31 de Outubro provocará “um choque instantâneo” na economia do Reino Unido.

Numa entrevista à cadeia pública BBC, Carney disse que “os mercados dão como certo” que haveria uma queda acentuada da libra esterlina, o que se vai notar, advertiu, “nos combustíveis e na compra de alimentos”. Segundo o governador, vai levar algum tempo até a situação melhorar.

“A economia do não-acordo significa que mudam as regras do jogo para o comércio, exportar para a Europa e importar da Europa. Para algumas grandes empresas deste país, o que antes era rentável, deixará de ser”, declarou.

Carney assinalou que isso “terá efeitos na economia a curto prazo”, com o encerramento de lojas, a supressão de empregos e a subida de preços.

O Banco de Inglaterra baixou as suas previsões de crescimento para 2019 e 2020 fixando-as em 1,3%, quando antes previra 1,5% e 1,6%, respectivamente. A revisão em baixa foi justificada com as incertezas do Brexit e o abrandamento da economia mundial.

O banco central deverá elaborar em breve uma nova análise sobre os efeitos de um Brexit sem acordo para a comissão parlamentar do Tesouro.

FONTE: Diário de Notícias / Anilact

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